Nossa separação foi como um novelo de lã se desfazendo por inteiro. As duas indo para direções opostas com as mentes turbilhão de pensamentos diferentes. Não sei quais vozes ressoavam na dela, mas eu só escutava as que gritavam na minha. Gritavam, falavam, por fim, sussurravam lembrando fervorosamente todos os momentos, chances e vezes que nosso amor repercutiu. Todas as brigas, discussões e paredes que se levantavam entre nós a cada vez que escutamos tudo, menos a maturidade, o amor, ou a chance de termos uma a outra, lado a lado, olho a olho, boca a boca. A figura dela foi sumindo ao passo que perdi de vista o ponto em que nos perdemos. Junto com o ritmo, a constância, a verdade e a coerência. Nesse embalo, querer não é mais suficiente. E assim como o rio que flui por toda minha existência, minha velha conhecida, deixar para o tempo as incumbências que somente ele pode resolver, para uma menina mimada como eu, é a maior e pior lição de vida.
sofia m.



